O Instituto Real Time Big Data divulgou na segunda-feira pesquisa de intenção de voto para a eleição presidencial (campo: 29-30 de maio de 2026; n=2.000; margem de erro ±2 pontos percentuais; registrada no TSE sob o número BR-05864/2026). No primeiro turno estimulado, o presidente Lula (PT) aparece com 38% das intenções de voto, contra 31% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Os demais candidatos testados não ultrapassam um dígito.
O segundo turno apresenta dois cenários distintos. Contra Flávio Bolsonaro, Lula lidera com 45% a 40% — diferença de cinco pontos percentuais, fora da margem de erro, que configura vantagem real. Contra o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), no entanto, o resultado é de empate técnico: os dois marcam 43%, dentro, portanto, da margem de ±2pp.
O dado mais impactante da pesquisa, segundo analistas, é a taxa de rejeição. Tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro registram 48% de rejeição — o percentual de eleitores que afirmam não votar no candidato em nenhuma hipótese. Esse nível elevado, idêntico para os dois, limita o crescimento orgânico de ambos e joga peso ainda maior na capacidade de mobilização da base e na performance nos debates.
"É uma eleição em que os dois lados disputam quem convence mais o eleitor desmotivado, não quem conquista o adversário", avaliou uma fonte ligada a institutos de pesquisa que acompanham o quadro eleitoral.
Mapa regional
Pesquisa anterior do instituto Quaest em parceria com o Banco Genial (campo: 21-28 de abril de 2026; n=11.646 entrevistados; registrada no TSE sob BR-03598/2026) traçou o mapa regional da disputa em simulação de segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro.
O senador vantagem expressiva em São Paulo (+12 pontos percentuais), Rio de Janeiro (+13pp), Rio Grande do Sul (+26pp) e Paraná (+20pp). Lula, por sua vez, domina o Nordeste com folga: Bahia (+33pp), Pernambuco (+34pp) e Ceará (+28pp).
O estado-chave é Minas Gerais. A pesquisa Quaest aponta Lula à frente por apenas 3 pontos percentuais — dentro da margem de erro de ±3pp para o estado —, tornando Minas o principal campo de disputa na reta final da campanha. Com o maior colégio eleitoral do interior do país, o estado pode ser decisivo para definir o vencedor.
Caiado como terceira via
O empate técnico de Lula com Caiado (43%×43%, pelo Real Time Big Data) trouxe o governador goiano ao centro do debate estratégico. Embora Caiado ainda não tenha confirmado candidatura, a possibilidade de um segundo turno entre ele e Lula — com Flávio eventualmente eliminado no primeiro turno — já é cenário trabalhado por parte do campo conservador.
A pesquisa BTG/Nexus de abril de 2026, por sua vez, havia mostrado números ligeiramente diferentes para o confronto direto entre Lula e Flávio no segundo turno — 46% a 45% —, configurando um empate técnico naquele levantamento. A diferença entre os dois institutos, dentro das margens de erro, confirma a tendência de corrida extremamente apertada.
Variáveis a observar
Economistas e estrategistas eleitorais apontam que a trajetória da inflação e do emprego nos próximos meses será determinante. Com o Boletim Focus indicando IPCA acima da meta e Selic acima de 13%, a percepção econômica do eleitor pode pesar mais do que qualquer evento político isolado.
A disputa formal começa a se desenhar a partir de julho, quando os partidos definem suas chapas. Até lá, os números de pesquisa seguirão voláteis — e qualquer movimentação do quadro do STF, das negociações com Washington sobre tarifas ou do desempenho fiscal pode mover o eleitorado.
Fontes: Instituto Real Time Big Data (TSE BR-05864/2026); Quaest/Banco Genial (TSE BR-03598/2026); BTG/Nexus (abril/2026). Dados verificados por LED Report com base em Exame, Gazeta do Povo, CNN Brasil, CartaCapital e Brasil de Fato.

