O Brasil encerrou 2025 com exportações totais de US$ 348,7 bilhões, um aumento de US$ 11,6 bilhões em relação aos US$ 337,1 bilhões registrados em 2024 — o maior valor já exportado pelo país em toda a sua história. Os dados foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e confirmados pela Agência Brasil/EBC.
O resultado é particularmente significativo por ter sido alcançado em um ambiente de pressão externa crescente: a administração Trump aplicou tarifas elevadas sobre importações brasileiras ao longo de 2025 e propôs nesta semana nova rodada de tarifas de 25%, o que tornava o desempenho exportador do país incerto no início do ano. O Brasil respondeu redirecionando seu comércio para novos parceiros.
A cartografia do novo comércio exterior
A China consolidou sua posição como principal destino das exportações brasileiras, absorvendo 37% do total em 2025 — crescimento de 6 pontos percentuais em relação ao ano anterior. Soja, minério de ferro, petróleo e carnes lideraram as vendas ao gigante asiático.
A Índia foi o destino com maior crescimento percentual: as importações indianas de produtos brasileiros aumentaram 52,9% em 2025, impulsionadas por petróleo, açúcar, algodão e produtos químicos. O governo brasileiro acelerou as tratativas para um acordo de livre-comércio bilateral.
O Marrocos registrou o segundo maior crescimento percentual: +62% nas compras de produtos brasileiros, com destaque para açúcar e cereais, em meio à crescente integração do Brasil com mercados africanos.
Diversificação como resposta às tarifas
Segundo análise da consultoria FTI Consulting baseada em dados do governo brasileiro, as tarifas norte-americanas aceleraram uma diversificação que já estava em curso, mas que ganhou urgência estratégica a partir de 2025. O trabalho indica que o Brasil conseguiu compensar a retração no mercado americano com expansão em mercados emergentes da Ásia, África e Oriente Médio.
"A diversificação foi acelerada pelas tarifas, mas não causada por elas. O Brasil já vinha construindo essa estratégia — as tarifas apenas tornaram a execução mais urgente", escreveu a FTI em seu relatório.
Economistas do MDIC apontam que a concentração ainda excessiva na China — 37% das exportações em um único destino — representa um risco de dependência que precisa ser administrado. Uma desaceleração econômica chinesa ou uma mudança nas suas políticas de importação poderia impactar severamente a balança comercial brasileira.
Perspectivas para 2026
Com a entrada em vigor do Acordo UE-Mercosul em 1º de maio de 2026, o Brasil conta com um novo instrumento de diversificação: o acesso preferencial ao mercado europeu, segundo maior destino das exportações brasileiras. A expectativa do MDIC é que o tratado impulsione as vendas ao bloco em até 15% nos próximos três anos.
Ao mesmo tempo, a proposta de tarifa de 25% dos EUA introduz um grau adicional de incerteza. Analistas do mercado financeiro estimam que, se implementada integralmente, a tarifa poderia reduzir as exportações brasileiras para os Estados Unidos em até US$ 4 bilhões por ano — valor que o país teria que compensar com novos mercados ou maior volume para os destinos atuais.
Fontes: MDIC/Secretaria de Comércio Exterior; Agência Brasil/EBC; FTI Consulting ("Tariffs Accelerated Brazil's Export Diversification", 2026). Dados verificados por LED Report.

