As exportações brasileiras de soja para a China cresceram 83% no primeiro bimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgados pela Exame. O salto reflete a combinação de dois fatores: a retração das exportações norte-americanas de grãos diante das tarifas de retaliação chinesas e a oferta abundante do Brasil, que consolidou sua posição como o maior exportador mundial de soja.
A China absorveu 37% das exportações totais do Brasil em 2025 — participação que cresceu 6 pontos percentuais em relação ao ano anterior. A soja é o principal produto dessa relação bilateral, respondendo por parcela significativa da balança comercial entre os dois países.
Projeção de safra recorde
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) publicou em relatório recente a projeção de safra de soja para o Brasil no ciclo 2026-2027: 186 milhões de toneladas, o que representaria um novo recorde histórico para o país e para a produção mundial do grão.
A projeção supera a safra recorde anterior e está sustentada pela expansão da área plantada no Centro-Oeste, pela adoção de variedades de maior produtividade e por condições climáticas favoráveis nas regiões produtoras de Mato Grosso, Goiás, Paraná e Rio Grande do Sul na janela de plantio prevista para outubro-novembro de 2026.
O USDA também aumentou sua estimativa para as exportações brasileiras de soja no ciclo 2026-2027, refletindo a maior demanda global e a capacidade logística ampliada com os investimentos em ferrovias e terminais portuários feitos nos últimos anos.
Diversificação estratégica
O desempenho do agronegócio brasileiro em 2026 é interpretado por analistas como resultado de uma estratégia deliberada de diversificação de mercados, acelerada pelas tensões comerciais com os Estados Unidos. Além da China, o Brasil ampliou significativamente as exportações para a Índia (+52,9% em 2025) e para o Marrocos (+62% em 2025), novos mercados que hoje absorvem parte crescente da produção agrícola nacional.
"O Brasil se beneficia de uma posição geopolítica relativamente neutra, que permite exportar para países que estão em lados opostos nas disputas comerciais globais", avaliou um analista de commodities ouvido pela LED Report. "Isso é uma vantagem competitiva que vai além da produtividade."
Alerta: a tarifa de 25% dos EUA
O cenário positivo para o agronegócio enfrenta, no entanto, um novo risco: a proposta da administração Trump de impor tarifa de 25% sobre importações brasileiras, anunciada nesta semana. Embora a soja brasileira já tenha como principal destino a China — e não os EUA —, outros produtos do agronegócio, como celulose, suco de laranja e carnes, têm os Estados Unidos entre os principais importadores.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) pediram ao governo tratativas urgentes para evitar que a escalada tarifária atinja setores que ainda dependem do mercado norte-americano. O Brasil exportou US$ 13,5 bilhões em produtos agropecuários para os EUA em 2025.
Fontes: Exame (exportações soja 1º bimestre/2026); USDA World Agricultural Supply and Demand Estimates (WASDE, maio/2026); MDIC; Agência Brasil/EBC. Dados de diversificação verificados por LED Report com base em FTI Consulting e relatórios do MDIC.

